meus queridos amigos, abrigos no éter do tempo,
amados cavaleiros das cruzadas primeiras,
onde estais vós, companheiros na rua da infância,
vozes no pátio vazio, célebres e ruidosos vadios?
vai longe a louca viagem, a bagagem sonolenta,
o destino sorteado no baralho.
evoco suas presenças docemente...
ergamos taças cheias do vinho consternado,
da lição derradeira, da invencível fagulha do perigo
– da vida, queridos e bravos amigos,
que nos abandona à deriva, mas que, viva,
nos torna feliz memória, história florida na mão,
paixão da sangria incontida.
inerência da linguagem mormente na página branca: a potência da semente, a semântica do mote cotidiano, sem planos. poesia para o enfrentamento do que inexiste, mas urge. grafias caboclas e indígenas por ascendência, oriundas de uma terra feita de águas intensas. poemas registrados na Fundação Biblioteca Nacional - RJ
terça-feira, abril 29, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
pedra filosofal
minha consciência pesa viva na balança
carne fresca de primeira razão
minha consciência é pedra no teto de vidro
de quem esconde ouro feito ladrão
pesa quanto vale, cale-se quem não se sabe
sacro cálice de seu coração
couraça, caroço, grotão, gruta escura
grão de bico quieto, feto de furacão
minha consciência perde a paciência
com tanta ciência douta no que é banal
d’outra forma, o que não se aprende sente-se,
que isso depende de um mistério ancestral
conscientemente, mente-se quando se prende
a consciência entre o bem e o mal
peso da prosódia fatal, fado diferente
em que pese a pedra filosofal.
*poema escrito para música de Felipe Cordeiro & Renato Torres.
carne fresca de primeira razão
minha consciência é pedra no teto de vidro
de quem esconde ouro feito ladrão
pesa quanto vale, cale-se quem não se sabe
sacro cálice de seu coração
couraça, caroço, grotão, gruta escura
grão de bico quieto, feto de furacão
minha consciência perde a paciência
com tanta ciência douta no que é banal
d’outra forma, o que não se aprende sente-se,
que isso depende de um mistério ancestral
conscientemente, mente-se quando se prende
a consciência entre o bem e o mal
peso da prosódia fatal, fado diferente
em que pese a pedra filosofal.
*poema escrito para música de Felipe Cordeiro & Renato Torres.
terça-feira, novembro 06, 2007
quando a música terminar
há este lugar, obtuso como quase toda arquitetura, onde há vazio faminto por dizer-se. a sala objeta certezas continentes... apenas doa-se, dissoluta, ao que se queira fazer-se a habitá-la.
escolhemos o risco de não saber, abrindo livros como runas em língua morta – ou para além, transtornando o que era inteligível, o que orbitava em brilho de tese, nas profundezas guturais da pré-linguagem – o que já é linguagem, porquanto. viver seguiu-se como alimento e recurso empírico, mas a sala esturgia como uma vulva em cio, e passamos meses a movermo-nos, a suar, gritar, cantar, a exaurirmo-nos ao desfalecimento. a sala modificava-se, imbuía-se a arquitetura outrora fria dum sangue invisível, mas presente. a cama do chão fumegava sob o toque de nossos pés, mãos, corpos retorcendo-se na busca do soma, dilatação extra-cotidiana, matéria bruta pronta ao projeto de três pilares conceituais: Artaud, Nietzsche e Jim Morrison.
depois de algum tempo, decidimo-nos a encontrar nossas personas arquetípicas, e foi então que três imanências acederam aos nossos esforços, três entes xamânicos, cada qual sob um signo elemental: terra, ar e fogo. “e onde a água?” foi quando nos demos conta que essa água, a mesma de nossos suores, e do sangue invisível, a mesma que erguemos nas taças das pálpebras quando exaustos e feridos de morte – a doce e inevitável morte do ego nos processos criativos – a água é o ocaso do planeta, a incerteza última, a falta descriante. nos pareceu oportuna a sua quase ausência. “quase”, porque ela está lá, no parto de Gaia, pelas mãos das Áyamins, irrigando seu estertor ao dar à luz os xamãs gêmeos... está nos suores e vapores concentrados no Vôo Mágico e no Domínio do Fogo... e, finalmente, está lá, no fim, lavando os corpos egressos da jornada arquetípica.
“Quando a Música Terminar” – diz o nome do espetáculo – restarão apenas fantasmas, os ecos assombrosos da(s) voz(es) de Artaud, faca de duas pontas; a reverberação límpida e mântrica das melodias embebidas de poema de Jim Morrison – que a platéia tentará, inutilmente, reter em gargantas secas de medo – e o enredo final, onde Nietzsche, atônito ao perceber que os deuses dançantes eram um simulacro, constatará o erro monstruoso da existência sem música (água sonora). uma solidão instransponível e sem sentido.
escolhemos o risco de não saber, abrindo livros como runas em língua morta – ou para além, transtornando o que era inteligível, o que orbitava em brilho de tese, nas profundezas guturais da pré-linguagem – o que já é linguagem, porquanto. viver seguiu-se como alimento e recurso empírico, mas a sala esturgia como uma vulva em cio, e passamos meses a movermo-nos, a suar, gritar, cantar, a exaurirmo-nos ao desfalecimento. a sala modificava-se, imbuía-se a arquitetura outrora fria dum sangue invisível, mas presente. a cama do chão fumegava sob o toque de nossos pés, mãos, corpos retorcendo-se na busca do soma, dilatação extra-cotidiana, matéria bruta pronta ao projeto de três pilares conceituais: Artaud, Nietzsche e Jim Morrison.
depois de algum tempo, decidimo-nos a encontrar nossas personas arquetípicas, e foi então que três imanências acederam aos nossos esforços, três entes xamânicos, cada qual sob um signo elemental: terra, ar e fogo. “e onde a água?” foi quando nos demos conta que essa água, a mesma de nossos suores, e do sangue invisível, a mesma que erguemos nas taças das pálpebras quando exaustos e feridos de morte – a doce e inevitável morte do ego nos processos criativos – a água é o ocaso do planeta, a incerteza última, a falta descriante. nos pareceu oportuna a sua quase ausência. “quase”, porque ela está lá, no parto de Gaia, pelas mãos das Áyamins, irrigando seu estertor ao dar à luz os xamãs gêmeos... está nos suores e vapores concentrados no Vôo Mágico e no Domínio do Fogo... e, finalmente, está lá, no fim, lavando os corpos egressos da jornada arquetípica.
“Quando a Música Terminar” – diz o nome do espetáculo – restarão apenas fantasmas, os ecos assombrosos da(s) voz(es) de Artaud, faca de duas pontas; a reverberação límpida e mântrica das melodias embebidas de poema de Jim Morrison – que a platéia tentará, inutilmente, reter em gargantas secas de medo – e o enredo final, onde Nietzsche, atônito ao perceber que os deuses dançantes eram um simulacro, constatará o erro monstruoso da existência sem música (água sonora). uma solidão instransponível e sem sentido.
terça-feira, outubro 16, 2007
Independente
para itamar assumpção
sou independente, um índio pendente
a negro, um pedinte, não nego
devo quando puder, eu pago sapo
eu pago o pato, é patológico.
sou ideologicamente indigente
sou uma indecente serpentina
não jogo confete, não aceito purpurina
sou pura urina de poste de rua
sou dado à arruaça, sou caça de
carne dura, mordedura dos caninos
em teu calcanhar de aquiles.
sou aquilo, e isso posto, só desgosto
do que custa a dizer o que é. sou
aquele um, o desdito, benedito santo
do pau oco, sou rouco de tanto que
canto, por isso que minto que invento
o que, na verdade, é de fato.
sou independente, um índio pendente
a negro, um pedinte, não nego
devo quando puder, eu pago sapo
eu pago o pato, é patológico.
sou ideologicamente indigente
sou uma indecente serpentina
não jogo confete, não aceito purpurina
sou pura urina de poste de rua
sou dado à arruaça, sou caça de
carne dura, mordedura dos caninos
em teu calcanhar de aquiles.
sou aquilo, e isso posto, só desgosto
do que custa a dizer o que é. sou
aquele um, o desdito, benedito santo
do pau oco, sou rouco de tanto que
canto, por isso que minto que invento
o que, na verdade, é de fato.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Tempo Maduro
Neste estranho hiato de postagens aqui na Página Branca, recebi diversas vezes os questionamentos inevitáveis: por quê? Talvez para reiterar a metáfora óbvia do silêncio em relação à este branco sítio? Nada disso. O fato é que alimentei esperanças que não se cumpriram, naturalmente, e que me acomodaram neste silêncio de tantos meses. Contudo, e percebendo o grande interesse que este blog desprovido de atrativos visuais (não consigo nem ao menos carregar uma foto minha, creiam) desperta em alguns seres, resolvi voltar a publicar meus textos aqui (venho publicando periodicamente no Overmundo), e começo com um texto que pouco foi lido por lá, sequer chegou a ser publicado no banco de cultura - consta apenas em meus arquivos. Espero que os antigos e novos visitantes o apreciem. É bom estar de volta.
Tempo maduro
ouço rumores que soçobram pela tarde
vapores da arte queimando-me os olhos
e os tantos embrulhos da realidade
a que não me cabe naquilo que escolho.
desenho em suores meu esforço caçador
vagido ordenado em canções que detenho
esbaforidas e renitentes como um tremor
do animal sem freio, do urro tamanho.
cobre a ti mesmo de célere espera,
e verás, varrer a terra, o inesperado
residindo na máquina, no músculo, na têmpera
os ardis do pensamento não invocado.
a mão do que entendo não colhe
esta água turva que avassala e afoga
e obriga ao tempo maduro que tolhe
o impulso secreto do que não se joga.
ensaio este salto no palco intranquilo,
rescaldo de sonho queimando na testa.
volto à longitude esguia, e vacilo
entre o que viceja, e o que detesta.
Tempo maduro
ouço rumores que soçobram pela tarde
vapores da arte queimando-me os olhos
e os tantos embrulhos da realidade
a que não me cabe naquilo que escolho.
desenho em suores meu esforço caçador
vagido ordenado em canções que detenho
esbaforidas e renitentes como um tremor
do animal sem freio, do urro tamanho.
cobre a ti mesmo de célere espera,
e verás, varrer a terra, o inesperado
residindo na máquina, no músculo, na têmpera
os ardis do pensamento não invocado.
a mão do que entendo não colhe
esta água turva que avassala e afoga
e obriga ao tempo maduro que tolhe
o impulso secreto do que não se joga.
ensaio este salto no palco intranquilo,
rescaldo de sonho queimando na testa.
volto à longitude esguia, e vacilo
entre o que viceja, e o que detesta.
quarta-feira, abril 04, 2007
Lótus
Tive uma noite de conversas férteis, de diálogos musicais e criativos, com os alunos do primeiro ano do Curso de Formação de Ator da Escola de Teatro e Dança da UFPa, na terça passada, a convite do professor Edson Fernando. Entre poemas e canções, muitas palavras e sensações felizes, inquietantes, ternas, densas e instigantes brotaram, e um elo (ou um halo) indissolúvel foi gerado entre todos (e ao redor de todos), naquela sala, naquela noite. Em agradecimento a tanta humanidade desabrida, posto um dos textos que refulgiram esta irmandade inequívoca, que nos torna parceiros na arte e na vida... Valeu gente!
(o início desse texto foi musicado por Vital Lima, e gravado no seu último CD Das Coisas Simples da Vida)
Lótus
serei tua planta
debruçada na janela
flores em lugar de palavras
rosas na moldura amarela.
convido pássaros à tarde
para a delicada festa
passarás por mim, indiferente e leve
o meu segredo de flor, esta
frase escura onde floris
clara lótus indissoluta
singrando a maresia que te diz
a palavra-água, palavra-raiz
fincando dedos na terra bruta
que te escuta, quando sorris.
(o início desse texto foi musicado por Vital Lima, e gravado no seu último CD Das Coisas Simples da Vida)
Lótus
serei tua planta
debruçada na janela
flores em lugar de palavras
rosas na moldura amarela.
convido pássaros à tarde
para a delicada festa
passarás por mim, indiferente e leve
o meu segredo de flor, esta
frase escura onde floris
clara lótus indissoluta
singrando a maresia que te diz
a palavra-água, palavra-raiz
fincando dedos na terra bruta
que te escuta, quando sorris.
domingo, março 25, 2007
caranguejo
sobejo, enquanto vejo-te
às alturas da superfície
cá, pleno em minha imundície,
à minha casa lamacenta.
adivinho se acalentas
sonhos de magnitude.
eu cá dentro mergulho, amiúde,
no açude denso do que penso.
invento verso enfurnado, mas
nunca venço o meu fado,
disfarçado no objeto direto
desse exoesqueleto: a modorra
do desejo em ofertar-te,
caranguejo, a carne íntima
que a ti desvelo.
às alturas da superfície
cá, pleno em minha imundície,
à minha casa lamacenta.
adivinho se acalentas
sonhos de magnitude.
eu cá dentro mergulho, amiúde,
no açude denso do que penso.
invento verso enfurnado, mas
nunca venço o meu fado,
disfarçado no objeto direto
desse exoesqueleto: a modorra
do desejo em ofertar-te,
caranguejo, a carne íntima
que a ti desvelo.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
és a corda leve onde vibram
os tonitruantes fogos, a fala do trovão
és um corpo entre corpos voltados ao zelo
de estar a ser, de um acordo mútuo
com edifícios e o trânsito involuntário das sombras
de ferir-se fatalmente às quinas da solidão coletiva
e dar-se a inventos miraculosos, engenhos
superlativos da tua existência pouco percebida
olhas ao longo da avenida as árvores tristes
perfazendo-se num cortejo suspenso, os braços a clamar
mas sua tristeza, percebes, nem ao menos existe
existe a tua inteligência intranquila disfarçando-te
emulando em galhos e copas a tua dor íntima
existe apenas a tua mínima palavra, cujo esgar
espera ser ouvido, e que tende a tornar-se
ferramenta, armadilha, poção, veneno
estampido distante, teu pequeno mundo
hábil movimento grafando um pensamento mudo.
os tonitruantes fogos, a fala do trovão
és um corpo entre corpos voltados ao zelo
de estar a ser, de um acordo mútuo
com edifícios e o trânsito involuntário das sombras
de ferir-se fatalmente às quinas da solidão coletiva
e dar-se a inventos miraculosos, engenhos
superlativos da tua existência pouco percebida
olhas ao longo da avenida as árvores tristes
perfazendo-se num cortejo suspenso, os braços a clamar
mas sua tristeza, percebes, nem ao menos existe
existe a tua inteligência intranquila disfarçando-te
emulando em galhos e copas a tua dor íntima
existe apenas a tua mínima palavra, cujo esgar
espera ser ouvido, e que tende a tornar-se
ferramenta, armadilha, poção, veneno
estampido distante, teu pequeno mundo
hábil movimento grafando um pensamento mudo.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
a sombra
esta a sombra que arrasto em meus pés
ou ela a mim? pondero sem susto.
empurrados os dois pelo sol em litania
ou pela luz fria dos postes noturnos,
a cidade espuma de tanta sombra!...
sangra este negrume tão lentamente
que não chego a pensá-lo – motor de um
outro inverno, cerne de volúpia quieta.
sombras inexistem de per si, são sobras
d´outros seres, inconcretudes espargidas
sobre o chão das coisas. verniz fugidio,
esta escuridão escorreita e servil...
de que me serve afinal? chama-me “mestre”
sem contudo dizer, segue-me às cegas,
num pleonasmo ingênuo, sua teimosia tão
discreta, embrionária.
recordo: em feto o teu manto me envolvia
em fervura sanguínea. sou teu filho, pois,
assombras-me desde o ventre, e hás de
engolir-me por fim, em mortalha de terra
água ou fogo. receio ter, inadvertidamente,
aberto teu jogo – de fato me espreitas,
empurras-me a cabeça noite após noite
em teu regaço estreito, na planura satisfeita
de treva sem remorso, no ócio da tua
liturgia, que parece não querer nada
além de refugiar-se aos becos, no
extremo diamétrico de toda luz, cuja
presença próxima aos objetos intumesce
a tua ossatura pânica e muda!
ei-la, imensada às expensas de argumentos parietais,
fantasmagórica sombra minha – minha?
ou sou teu severo percalço, se busco encandear-me
as instâncias, as latências, o substantivo lato?
sombrazinha, sozinha de fato, sempre
a reiterar-me a irrevogável dor íntima de existir,
que seja, então, assim, tal expediente teu, iconoclasta.
a mim, basta saber que hei de afogar-te, alhures,
na oceania fulgurosa de um sol de meio dia.
ou ela a mim? pondero sem susto.
empurrados os dois pelo sol em litania
ou pela luz fria dos postes noturnos,
a cidade espuma de tanta sombra!...
sangra este negrume tão lentamente
que não chego a pensá-lo – motor de um
outro inverno, cerne de volúpia quieta.
sombras inexistem de per si, são sobras
d´outros seres, inconcretudes espargidas
sobre o chão das coisas. verniz fugidio,
esta escuridão escorreita e servil...
de que me serve afinal? chama-me “mestre”
sem contudo dizer, segue-me às cegas,
num pleonasmo ingênuo, sua teimosia tão
discreta, embrionária.
recordo: em feto o teu manto me envolvia
em fervura sanguínea. sou teu filho, pois,
assombras-me desde o ventre, e hás de
engolir-me por fim, em mortalha de terra
água ou fogo. receio ter, inadvertidamente,
aberto teu jogo – de fato me espreitas,
empurras-me a cabeça noite após noite
em teu regaço estreito, na planura satisfeita
de treva sem remorso, no ócio da tua
liturgia, que parece não querer nada
além de refugiar-se aos becos, no
extremo diamétrico de toda luz, cuja
presença próxima aos objetos intumesce
a tua ossatura pânica e muda!
ei-la, imensada às expensas de argumentos parietais,
fantasmagórica sombra minha – minha?
ou sou teu severo percalço, se busco encandear-me
as instâncias, as latências, o substantivo lato?
sombrazinha, sozinha de fato, sempre
a reiterar-me a irrevogável dor íntima de existir,
que seja, então, assim, tal expediente teu, iconoclasta.
a mim, basta saber que hei de afogar-te, alhures,
na oceania fulgurosa de um sol de meio dia.
sábado, outubro 07, 2006
Círio
a surpresa em ouvir do vento
o véu, as voltas, vielas e vazios
fogo no espaço extenso, e posso
contar com os olhos das estrelas.
sim, você no ouro das molduras
para onde caminharás às tonturas,
santa estrutura de contas brilhantes
espirais da superfície tênue e aérea.
fere-a o vento, curvando-se molusco...
e o sopro coze guilhotinas sobre a pele
(a boca ferve álcoois):
– soubeste da asa?...
o véu, as voltas, vielas e vazios
fogo no espaço extenso, e posso
contar com os olhos das estrelas.
sim, você no ouro das molduras
para onde caminharás às tonturas,
santa estrutura de contas brilhantes
espirais da superfície tênue e aérea.
fere-a o vento, curvando-se molusco...
e o sopro coze guilhotinas sobre a pele
(a boca ferve álcoois):
– soubeste da asa?...
quinta-feira, julho 13, 2006
Canto Falado
falo dos meus amigos
e do sangue nos entre lanhos
da minha carne poeta
falo do que não digo
e do desenho em chaga
dessa palavra aberta
falo da tua miséria -
a minha própria matéria
que nesse canto se projeta
falo da falácia espúria
em palácios de injúria
que esta poesia objeta
falo, e falho ao fazê-lo
pondo em pêlo à palavra
sua carnadura sonora
fê-la um esboço mímico
o meu rigor mecânico
que um silêncio qualquer devora
filha florada na sílaba
cio de lábia ventríloqua
falo da palavra afora
e do sangue nos entre lanhos
da minha carne poeta
falo do que não digo
e do desenho em chaga
dessa palavra aberta
falo da tua miséria -
a minha própria matéria
que nesse canto se projeta
falo da falácia espúria
em palácios de injúria
que esta poesia objeta
falo, e falho ao fazê-lo
pondo em pêlo à palavra
sua carnadura sonora
fê-la um esboço mímico
o meu rigor mecânico
que um silêncio qualquer devora
filha florada na sílaba
cio de lábia ventríloqua
falo da palavra afora
segunda-feira, junho 12, 2006
a idade do amor
para ir além da dúvida, além do que não sei
é que encontro o chão com os pés
como fossem as sementes lançadas
ao início da quimera, inocentes,
em desterro e indolência diante
do bárbaro espetáculo.
é com as pedras do sono,
pendentes nas pálpebras do dia...
é como deliquescer sob circunstância
irrespirável, saltitar na brasa moribunda,
lamber a lúbrica ferrugem
dos próprios agrilhoamentos.
é com o ferro da própria vertigem,
a nódoa renitente do próprio vômito,
que há de reger-se a si o curso inevitável,
a folha de zinco vibrando sob a mão
da tempestade, o berro noturno da mitologia
até então desacreditada.
assoma num vôo de flancos eriçados
o meu espírito rugindo sua juventude &
também sua antiguidade, reclamada em visões.
assume as altas espacialidades, enquanto
a idade do amor ri-se de não existir o tempo.
para ir além da dúvida, além do que não sei
é que encontro o chão com os pés
como fossem as sementes lançadas
ao início da quimera, inocentes,
em desterro e indolência diante
do bárbaro espetáculo.
é com as pedras do sono,
pendentes nas pálpebras do dia...
é como deliquescer sob circunstância
irrespirável, saltitar na brasa moribunda,
lamber a lúbrica ferrugem
dos próprios agrilhoamentos.
é com o ferro da própria vertigem,
a nódoa renitente do próprio vômito,
que há de reger-se a si o curso inevitável,
a folha de zinco vibrando sob a mão
da tempestade, o berro noturno da mitologia
até então desacreditada.
assoma num vôo de flancos eriçados
o meu espírito rugindo sua juventude &
também sua antiguidade, reclamada em visões.
assume as altas espacialidades, enquanto
a idade do amor ri-se de não existir o tempo.
sábado, junho 03, 2006
inventania
eu vivo à beira do precipício
e tenho o vício sereno da queda.
a seda que envolve o gume do poema
não teme o corte.
eu vivo no ritmo da morte
microscópica de minhas células,
no rumor de suas almas esbatendo-se
na brisa que expiro - libélulas minúsculas,
éter flambado em hálito.
eu giro em hélices que reúno
aos ramalhetes, inscrevo verbetes inéditos
às vértebras do indício.
hinário d´outro culto, escuto árias
angélicas em meio à minha febre.
eu sou dourado a cobre, tenho
a impáfia charlatã das bijouterias.
o caldo fervente que verte o poema
não queima a sorte.
eu tardo no trânsito do mote
que repete a destreza das infantarias,
a flecha túmida feita a desejo
e siderurgia, irrompendo perdulária
de minhas vestimentas.
eu trago comigo as ferramentas inúteis,
hábeis às tarefas que não compreendo:
o incêndio rouco, a árvore cadente,
a sílaba serralheira, o novelo do quando,
e talho a golpes de tinta negra
a regra que resta queimando,
fôlego de serpente calada.
eu mordo a carne da fruta
e flagro a disputa alada
entre alegrias e tormentos.
eu vivo à custa do que invento
e tenho um vento doido
a soprar-me a cara.
e tenho o vício sereno da queda.
a seda que envolve o gume do poema
não teme o corte.
eu vivo no ritmo da morte
microscópica de minhas células,
no rumor de suas almas esbatendo-se
na brisa que expiro - libélulas minúsculas,
éter flambado em hálito.
eu giro em hélices que reúno
aos ramalhetes, inscrevo verbetes inéditos
às vértebras do indício.
hinário d´outro culto, escuto árias
angélicas em meio à minha febre.
eu sou dourado a cobre, tenho
a impáfia charlatã das bijouterias.
o caldo fervente que verte o poema
não queima a sorte.
eu tardo no trânsito do mote
que repete a destreza das infantarias,
a flecha túmida feita a desejo
e siderurgia, irrompendo perdulária
de minhas vestimentas.
eu trago comigo as ferramentas inúteis,
hábeis às tarefas que não compreendo:
o incêndio rouco, a árvore cadente,
a sílaba serralheira, o novelo do quando,
e talho a golpes de tinta negra
a regra que resta queimando,
fôlego de serpente calada.
eu mordo a carne da fruta
e flagro a disputa alada
entre alegrias e tormentos.
eu vivo à custa do que invento
e tenho um vento doido
a soprar-me a cara.
domingo, maio 14, 2006
minha mãe
minha mãe vem de linhagens elementais, e traz
junto ao ventre inúmeras certezas férteis,
prontas a encontrar qualquer pequena existência
e saber-lhe as origens, abrigando-lhes desde o nome.
acerca de mim ergueu paredes líquidas e sentimentais,
horizontes onde vi a beira íngreme do mundo,
tonta a precipitar-se, sob a velocidade da lágrima.
minha mãe esquece-se entre os nomes queridos,
florindo em murmurados risos, saltando uns sobre
os outros, em cômica algaravia. minha mãe sabia
desde o início que haveria de ser assim, para mim
e para meus irmãos – um caminho são aferrado a
escolhas verdadeiras, um tecido vivo, ornado à mão.
assim ensina autêntica, incontinente em sincera realeza,
sangra a vinha de minha mãe incessantemente,
adoçando-nos as bocas sempre sedentas de si,
úmidas então com sua ciência doadora, dourada irmã,
armadura vegetal orlada por suas pequenas filhas,
as plantas com quem conversa em íntimo dialeto.
minha mãe conhece o secreto cálice da vida adiante,
dedicando-se à plenitude feminina de ser em muitas,
outras meninas a tremular, regadas ao sol da manhã,
sob orvalhos gotejados de sua mão, céu a chover.
minha mãe me viu nascer antes da chegada, e quis,
mesmo sem querer, enluarada sobre o mundo a crestar,
que ali fosse o meu lugar, o chão donde cresceria nato
e recoberto de sua branda morada, seu morno tato.
minha mãe vem de linhagens elementais, e traz
junto ao ventre inúmeras certezas férteis,
prontas a encontrar qualquer pequena existência
e saber-lhe as origens, abrigando-lhes desde o nome.
acerca de mim ergueu paredes líquidas e sentimentais,
horizontes onde vi a beira íngreme do mundo,
tonta a precipitar-se, sob a velocidade da lágrima.
minha mãe esquece-se entre os nomes queridos,
florindo em murmurados risos, saltando uns sobre
os outros, em cômica algaravia. minha mãe sabia
desde o início que haveria de ser assim, para mim
e para meus irmãos – um caminho são aferrado a
escolhas verdadeiras, um tecido vivo, ornado à mão.
assim ensina autêntica, incontinente em sincera realeza,
sangra a vinha de minha mãe incessantemente,
adoçando-nos as bocas sempre sedentas de si,
úmidas então com sua ciência doadora, dourada irmã,
armadura vegetal orlada por suas pequenas filhas,
as plantas com quem conversa em íntimo dialeto.
minha mãe conhece o secreto cálice da vida adiante,
dedicando-se à plenitude feminina de ser em muitas,
outras meninas a tremular, regadas ao sol da manhã,
sob orvalhos gotejados de sua mão, céu a chover.
minha mãe me viu nascer antes da chegada, e quis,
mesmo sem querer, enluarada sobre o mundo a crestar,
que ali fosse o meu lugar, o chão donde cresceria nato
e recoberto de sua branda morada, seu morno tato.
terça-feira, maio 02, 2006
rei nato
nasci numa tarde clara de terça-feira,
na pedra rara da água mansa.
nasci somente a ver navios, a ter baldios
terrenos vazios como reino, meu cetro
era um galho de abacateiro, meu cheiro
um quintal vivo de terra desnuda.
eu era uma muda estranha no ventre
da mãe, tão terrestre quanto eu; um vento
abobadando o abdômen daquela mulher pequena.
eu era a pena, eu era o homem, eu era insone,
eu era o sonho imprevisto, o incesto pueril,
eu era o pavio curto de uma secreta explosão.
era um coração. já era nato: rei de nada.
já de pé, pó de estrada. era nem ontem, nem amanhã...
hoje sôo.
nasci numa tarde clara de terça-feira,
na pedra rara da água mansa.
nasci somente a ver navios, a ter baldios
terrenos vazios como reino, meu cetro
era um galho de abacateiro, meu cheiro
um quintal vivo de terra desnuda.
eu era uma muda estranha no ventre
da mãe, tão terrestre quanto eu; um vento
abobadando o abdômen daquela mulher pequena.
eu era a pena, eu era o homem, eu era insone,
eu era o sonho imprevisto, o incesto pueril,
eu era o pavio curto de uma secreta explosão.
era um coração. já era nato: rei de nada.
já de pé, pó de estrada. era nem ontem, nem amanhã...
hoje sôo.
quarta-feira, abril 12, 2006
redoma
que posso eu dizer a ti, daqui
da zona escura?
que posso eu, em jura, ou injúria
sobre o teu mundo em redoma?
diga-me tu: o que assoma deveras
além da queda lenta em espera, em espiral?
que posso eu a não ser o mal
auto-infligido, a faca que revolvo
em baixo ventre? que posso então
entre cruz e espada senão nada,
atadas as mãos do destino?
que desatino, rebeldia inconforme
seria tão enorme a ponto de te mover
ao que imagino ser a tua vontade secreta?
em que dimensão, em qual planeta
haveremos de reencarnar
mudos, desnudos, apenas em
pétalas urdidas de amar?
da zona escura?
que posso eu, em jura, ou injúria
sobre o teu mundo em redoma?
diga-me tu: o que assoma deveras
além da queda lenta em espera, em espiral?
que posso eu a não ser o mal
auto-infligido, a faca que revolvo
em baixo ventre? que posso então
entre cruz e espada senão nada,
atadas as mãos do destino?
que desatino, rebeldia inconforme
seria tão enorme a ponto de te mover
ao que imagino ser a tua vontade secreta?
em que dimensão, em qual planeta
haveremos de reencarnar
mudos, desnudos, apenas em
pétalas urdidas de amar?
terça-feira, fevereiro 28, 2006
a virgem
quando a virgem estendeu-me sua língua de éter
pus-me à míngua, notário subitamente reduzido
a dicionário, cuja pena murcha estrebucha
a cuspir sua tinta em garrancho precário.
a virgem estirou-me sua página branca
na penumbra, sem de todo revelar-se, neófita.
eu, nu a fitar-lhe as brandas ancas sem pátina,
medindo sua nudez mais ancha à medida
em que avançava-me a febre ignorante.
foi então que, diante da iminência do golpe,
eu surdo em meu machado arfante, ela deu-se
a saber, intocada, qual hora doravante.
eunuco, a carne bêbada, um dessemelhante,
pôs-me Minotauro vencido a murro ou espada,
ária de nenhum canto, espanto costurado a fio,
prisioneiro em dédalo sombrio, estremeci.
quando a virgem entendeu-me assim, sorvi
seu ungüento, em pequenas doses, que ela
trazia-me, diligente, à boca, em cautela.
a negra donzela lambeu seu espelho, que
dissolveu-se, vermelho, em sangue futuro.
pus-me à míngua, notário subitamente reduzido
a dicionário, cuja pena murcha estrebucha
a cuspir sua tinta em garrancho precário.
a virgem estirou-me sua página branca
na penumbra, sem de todo revelar-se, neófita.
eu, nu a fitar-lhe as brandas ancas sem pátina,
medindo sua nudez mais ancha à medida
em que avançava-me a febre ignorante.
foi então que, diante da iminência do golpe,
eu surdo em meu machado arfante, ela deu-se
a saber, intocada, qual hora doravante.
eunuco, a carne bêbada, um dessemelhante,
pôs-me Minotauro vencido a murro ou espada,
ária de nenhum canto, espanto costurado a fio,
prisioneiro em dédalo sombrio, estremeci.
quando a virgem entendeu-me assim, sorvi
seu ungüento, em pequenas doses, que ela
trazia-me, diligente, à boca, em cautela.
a negra donzela lambeu seu espelho, que
dissolveu-se, vermelho, em sangue futuro.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
sobre a certeza
esculpe tua certeza
como um anjo sobre o sepulcro
evita o maneirismo e a soberba
espera diante do sol nascente
as verdades indizíveis
caminharem sobre os montes
em direção ao teu olho desperto
abandona esse teu desespero em saber
à sua própria sorte:
não queiras saber coisa alguma
acalanta o sono de teu filho
apenas com o silêncio
percebe que tua linhagem transborda já de ti,
para além da existência de teus descendentes
faze de tua obra carne e sangue a pulsar.
conhece os homens ao teu redor
e oferece a cada um, um brinde:
algo para a sede e a fome
algo para o ócio, e o abandono
conhece os caminhos largos de teu sono
observa os teus amigos imateriais,
e deles aceita o tributo e o conselho
esforça-te em tua memória para que
o ouro baço não se transmute no pó da vigília
percebe que a vida ao redor de ti
diz apenas: sim
mesmo com o pranto e a perda lacônica
mesmo com pequenos animais sucumbindo
a cada passo teu -
a cegueira é saturação, nunca ausência.
rejubila-te com um espaço vazio
alegra-te, finalmente, com a certeza do nada
donde tudo há de recrudescer.
como um anjo sobre o sepulcro
evita o maneirismo e a soberba
espera diante do sol nascente
as verdades indizíveis
caminharem sobre os montes
em direção ao teu olho desperto
abandona esse teu desespero em saber
à sua própria sorte:
não queiras saber coisa alguma
acalanta o sono de teu filho
apenas com o silêncio
percebe que tua linhagem transborda já de ti,
para além da existência de teus descendentes
faze de tua obra carne e sangue a pulsar.
conhece os homens ao teu redor
e oferece a cada um, um brinde:
algo para a sede e a fome
algo para o ócio, e o abandono
conhece os caminhos largos de teu sono
observa os teus amigos imateriais,
e deles aceita o tributo e o conselho
esforça-te em tua memória para que
o ouro baço não se transmute no pó da vigília
percebe que a vida ao redor de ti
diz apenas: sim
mesmo com o pranto e a perda lacônica
mesmo com pequenos animais sucumbindo
a cada passo teu -
a cegueira é saturação, nunca ausência.
rejubila-te com um espaço vazio
alegra-te, finalmente, com a certeza do nada
donde tudo há de recrudescer.
domingo, janeiro 29, 2006
dia primeiro
a copa úmida recende à chuva
recente... e eu já sinto
sobre a folha tímida do charco
a saudade tua – a grânula garoa
silente... e eu, libélula, repouso
em vôo parado
sobre a escolha única que resta
somente... eu, libelo inconforme lá
no comboio ligeiro
sobre a fornalha cardíaca da passagem
refuto qualquer fato aparente...
e sigo cá, rente ao dia primeiro
sobre a calha úmida dos caminhos
com o pensamento em ti,
mudo torvelinho do tempo em lábios
redonda teia feita de espera
valente... e eu, liberto em chama,
chamo a ti por teu signo íntimo
constante e a fluir – cedo na vazante
presente... eu, livro aberto
em tuas mãos brancas, em página amorosa.
a copa úmida recende à chuva
recente... e eu já sinto
sobre a folha tímida do charco
a saudade tua – a grânula garoa
silente... e eu, libélula, repouso
em vôo parado
sobre a escolha única que resta
somente... eu, libelo inconforme lá
no comboio ligeiro
sobre a fornalha cardíaca da passagem
refuto qualquer fato aparente...
e sigo cá, rente ao dia primeiro
sobre a calha úmida dos caminhos
com o pensamento em ti,
mudo torvelinho do tempo em lábios
redonda teia feita de espera
valente... e eu, liberto em chama,
chamo a ti por teu signo íntimo
constante e a fluir – cedo na vazante
presente... eu, livro aberto
em tuas mãos brancas, em página amorosa.
domingo, janeiro 15, 2006
tentação divina
vá lá que seja a vida essa mesma
sem resposta. porque gosto. porque sim.
que seja como a estrada que se ergue,
como o sal na língua, e sem fim,
até que acabe numa encruzilhada qualquer,
naquelas tuas esquinas, mulher, de morrer.
vá lá que assim seja ser, a escolha muda,
a medida do impossível a prevalecer.
que surja do imprevisto até tornar-se habitat natural.
vá que mude a cada instante um tanto que nem se perceba,
e seja a ceva pronta a tanta fome tua, a minha carne tonta.
que seja essa tentação divina a minha ponta nesse cinema.
vá lá que a sina seja um pouco suja vez por outra
e que a garatuja desse poema seja a estopa embebida
que tu mesmo atearás, em vida, em plena praça pública.
sem resposta. porque gosto. porque sim.
que seja como a estrada que se ergue,
como o sal na língua, e sem fim,
até que acabe numa encruzilhada qualquer,
naquelas tuas esquinas, mulher, de morrer.
vá lá que assim seja ser, a escolha muda,
a medida do impossível a prevalecer.
que surja do imprevisto até tornar-se habitat natural.
vá que mude a cada instante um tanto que nem se perceba,
e seja a ceva pronta a tanta fome tua, a minha carne tonta.
que seja essa tentação divina a minha ponta nesse cinema.
vá lá que a sina seja um pouco suja vez por outra
e que a garatuja desse poema seja a estopa embebida
que tu mesmo atearás, em vida, em plena praça pública.
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Quem sou eu
- Renato Torres
- Belém, Pará, Brazil
- Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012), Antologia Eco Poético (ICEN, 2014), O Amor no Terceiro Milênio (Anome Livros, 2015), Metacantos (Literacidade, 2016) e antologia Jaçanã: poética sobre as águas (Pará.grafo, 2019). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), e em 2019 lança o álbum solo Vida é Sonho, autoproduzido no Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.