sábado, outubro 07, 2006

Círio

a surpresa em ouvir do vento
o véu, as voltas, vielas e vazios
fogo no espaço extenso, e posso
contar com os olhos das estrelas.

sim, você no ouro das molduras
para onde caminharás às tonturas,
santa estrutura de contas brilhantes
espirais da superfície tênue e aérea.


fere-a o vento, curvando-se molusco...
e o sopro coze guilhotinas sobre a pele
(a boca ferve álcoois):


– soubeste da asa?...

5 comentários:

Lidok disse...

quantos lírios vimos? quantos flores murchas ?
so choro, ou as vezes canto..
bjs querido

lorena disse...

Sim, soube...
trouxeste-me!
E tu?
soubeste o porquê da minha surpresa?
Digo-te que chorei de vazio e preenchimento de algo incompreendido.
Fé incubada dentro de mim... “guilhotinas sobre a pele”, comoção: Círio.

bjim

te amo

Anônimo disse...

quando veremos uma nova poesia, renato?

cantabile disse...

Nobre Bardo,
sua poesia é envolvente como a neblina que abraça as montanhas dessa cidade.
parabéns!

Ana Maria Costa disse...

Comovente feito gritos silenciosos e preces envoltas de etérea beleza!
Abç

Quem sou eu

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Belém, Pará, Brazil
Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), inicia a produção do CD Vida é Sonho, quando inaugura o Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.