segunda-feira, junho 12, 2006

a idade do amor

para ir além da dúvida, além do que não sei
é que encontro o chão com os pés
como fossem as sementes lançadas
ao início da quimera, inocentes,
em desterro e indolência diante
do bárbaro espetáculo.

é com as pedras do sono,
pendentes nas pálpebras do dia...
é como deliquescer sob circunstância
irrespirável, saltitar na brasa moribunda,
lamber a lúbrica ferrugem
dos próprios agrilhoamentos.

é com o ferro da própria vertigem,
a nódoa renitente do próprio vômito,
que há de reger-se a si o curso inevitável,
a folha de zinco vibrando sob a mão
da tempestade, o berro noturno da mitologia
até então desacreditada.

assoma num vôo de flancos eriçados
o meu espírito rugindo sua juventude &
também sua antiguidade, reclamada em visões.
assume as altas espacialidades, enquanto
a idade do amor ri-se de não existir o tempo.

18 comentários:

Morena disse...

ah,o amor:
pular de um precipício...
elevar-se em pensamento...
procurar rios,correntezas...
apenas amar...!

por isso amo...
pulei, pensei, nadei, e estou sendo levada pela correnteza...

bjim

Harley Farias Dolzane disse...

"amar
amargura.
amar (tem) cura?"
(HFD)

Carpe Diem!

Luísa Mota disse...

Renato,

És líquido. Neste poema sinto-te triste, ainda assim serás líquido, que flui e corre nas veias poéticas da vida.

És fonema, livre. As tuas palavras rimam com o sexto sentido. São constituintes e movem-se com facilidade, têm volume próprio.

O amor, esse ícone abundante, quando existe, não teme o tempo, sem pressa vive e aprende o ontem e o amanhã, na mansão do hoje.

E tem como verdade absoluta, a máxima de que, quanto menos se tem, mais se terá.

1 Bj*
Luísa

Márcia Gabrielle Dantas disse...

Um dia depois do dia dos namorados eu comentava com algumas amigas: "eu não preciso mas viver em função do amor, do que sinto."
Mas algo é além disso.
Vivo dessas espectativas,daquele amor romantico que ainda teima em correr por esses pensamentos cheios de ilusões,meu amigo.
Ler-te hj me trás uma nova força, estranhamente alojada num dia tão banal,num tempo em que o amor trás um mundo inteiro nas costas, trás o ilícito e o vago, e tudo que não tem luz o suficiente para ter a compreensão tátil nas palmas das mãos. Eu me sinto hj uma estranha amante de um estranho amor.

Bj amigo, saudades sempre do teu abraço.

:*

Arthur Nogueira disse...

belo poema, belas palavras.
inevitavelmente, vou virar um freqüente visitante, grande poeta.
abraços sinceros.

Renato Torres disse...

morena,

eis-nos na correnteza semovente, da amizade, da paixão, do amor enfim revelado... sigamos neste barco feito de nossas vontades que se encontraram. amo.

beijo,

r

Renato Torres disse...

harley,

essa rima de amor e dor tem história... mas desconfio não ser uma regra geral... e se a dor vier, que seja pra nos ensinar a ser melhores. carpe diem!

abraço,

r

Renato Torres disse...

minha doce luisa,

quanta sabedoria naquilo que escreves!... e como sabes-me bem... sim, há sempre um tanto de tristeza naquilo que chamamos a tentativa do amor... talvez por estarmos sempre um pouco aquém de sua grandeza... a tarefa mais importante da existência sempre há de levar-nos ao cume do mais belo aprendizado... agradeço-te por compartilhar tua sabença boa comigo, minha amiga...

um beijo,

r

Renato Torres disse...

márcia,

o amor sempre nos enreda em estranhas buscas, estranhos pensamentos, estranhas escolhas... é preciso ter cuidado para desvendar-lhes os sortilégios. que seja sempre uma necessidade e "um chamado pra longe" como diz o rilke. sabes que meu abraço sempre será teu, minha amiga...

beijo,

r

Renato Torres disse...

arthur,

a tua visita será uma grande honra para mim. fui lá no teu blog, e me surpreendi com teus escritos...! me parece que o "grande" aqui é recíproco...

abração!

r

Indiferença disse...

A!!eu tava procurando algumas coisas na internet , aew encontrei sua página, a bem dizer foi por acaso mesmo!Mas foi bom!! ahaha

mto bonito o texto que vc colocou!
brigada por passar la na minha indiferença...
=0***

Benny Franklin disse...

Salve Renato!
Perfeito. Alegra-me sabe-lo poeta e conhecer algo de poesia que sai das entranhas paraenses.
Gostei do espaço. Gostei da poética.
Continue amigo.
Precisamos espalhar o canto paroara.
Vá em frente.
Benny Franklin

Tatiana Mamede disse...

Olá Renato!

Visitando sua página, me quedei completamente apaixonada pela sua escrita.
Tomei a liberdade de linka-lo.

Meus parabéns, e obrigada pelas delícias em forma de poema.
Abraços.

Clauky Saba disse...

"para ir além da dúvida, além do que não sei
é que encontro o chão com os pés
(...)
enquanto
a idade do amor ri-se de não existir o tempo."

e o amor brinca de 'star'...

Poetabraços

Clauky

Renato Torres disse...

andrea,

sua indiferença é apenas um chiste!... na verdade percebeste bem o que quero dizer, né? obrigado tb pela tua passagem por aqui...

beijo

r

Renato Torres disse...

benny,

e eu daqui feliz com teu gostar. o canto vem daqui do pará, mas pode ser ouvido e entendido em qualquer lugar...

abraço,

r

Renato Torres disse...

tatiana,

se minhas palavras incitam a ti, que tomes as liberdades que queiras!... nada melhor do que provocar nas pessoas a paixão da liberdade...

beijo

r

Renato Torres disse...

clauky,

é isso. de estar e de ser, brincaremos sempre... entre estrelas...

beijo,

r

Quem sou eu

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Belém, Pará, Brazil
Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), inicia a produção do CD Vida é Sonho, quando inaugura o Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.