segunda-feira, maio 02, 2011

Reinado de um homem no chão

"Meu reino por um cavalo!" - disse uma vez o monarca,

atado ao chão por uma arcada, a outra

atracada num céu deserto.


"Meu trono por um galope qualquer!" - diria mais tarde,

os olhos ardentes de água, tolo e

afogueado, no dia de sua estrela.


Eram dias daquela crença firme em cavalos alados,

e que o mínimo trotar tornava qualquer homem

num centauro lúbrico, irresistível.


"Meu chão por qualquer pasto invisível!" - rugiu na madrugada,

mas nada o demovia daquela ideia de que era um faminto.

Sentia nos ossos esbaterem-se borbulhos, a medula íngreme,

um instinto de morte, ou qualquer sorte modesta.

A festa de seu povo já estourava longe na manhã.


Foi quando se deu a perceber entranhado no chão, os pés

feito raízes aéreas, e outras forças etéreas evolando-se

através dos olhos e da boca, uma canção esquecida pairava,

a roca lendária fiava seu destino lírico, a aldrava em silêncio.


Renascia.

terça-feira, abril 05, 2011

Canto Tonto

não se ocupe do que sinto
tenho em mim um labirinto
cuja natureza minto
ao compor esta canção

tão cansado das esquinas
da trapaça das neblinas
sigo o rastro que destina
ao encontro da razão

e resolvo a talho cego
todo enigma que nego
tanto que o desassossego
me acompanha desde então

desde antigos carnavais
onde máscaras e ais
eram enredos desiguais
descompasso da ilusão.

não se preocupe tanto
só me dê esse desconto
canto, e posso por enquanto
não ter qu
alquer direção

contudo, não me contento
em soprar aos quatro ventos
sei que a qualquer momento
meus pés vão tocar o chão

mas meu pouso será breve
tenho a consciência leve
e o que digo só se escreve
com tinta do coração

não careço, então, de pena
de tudo o que me condena
reconstruo meu poema
dilema sem solução.


quinta-feira, janeiro 20, 2011

Intuição

a vida evita atrasos
os prazos são curtos
há curto-circuitos na indecisão

por isso entrego-me
ao cego percurso
ao mais puro intuito, e à intuição

com a inteireza
dos cinco sentidos
e o infinitivo verbo do querer

a quem interessa
recursos sem preço,
amores sem pressa, eis meu parecer:

conheço vestígios de sangue e fuligem
no que se alvoroça o viço recente,
e vejo na espera a fera que dorme
no óxido disforme, na paz do descrente.

o que desconheço deixo enviesado,
meu vício calado é olhar bem no fundo,
na dura quimera queimada a balaço
douro meu cansaço nas dores do mundo.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Canção

teu desejo abre os braços e morre
e a fome do mundo resgata
o que dia após dia te ocorre
reluzindo num punhal de prata

essa capa indecente te tolhe
e teu sonho abafado se inquieta
e projeta-se ao longo da prole
essa febre da carne poeta

e o pior: não há um lugar que te esconda
porque tudo em ti é uma afronta
é melhor te dizeres depressa
ou senão, perdes tua cabeça.

paga o preço do que te socorre,
essas noites que passas em claro
esculpindo sintaxes num porre
transbordando de teu dicionário

cada brasa que sopras te chama
e na cama não há mais descanso
o teu nome é uma pedra na grama
onde erras teu próximo passo

por menor que seja, o risco te abraça
os abutres roem tua carcaça
e o maior dos teus medos te mede:
não há água que mate a tua sede.

(ilusão é um sangue que escorre
coração, um segredo que sorri
um segundo é um século que encolhe
a canção é o silêncio que explode).

sábado, novembro 06, 2010

com um único verso que me valha

é quando então enfrento o mundo
além do muro da visão
é quando então me solto, arrisco
revelado pela dor

e invoco uma divindade dúbia,
um teor vívido, remotamente eu mesmo
com um único verso que me valha,
às custas de esquartejar-me
e expor despojos nas praças do centro
com os gemidos dos antros, os porões
carpideiros a doerem-me aos ouvidos.

é aí que o desconhecido vem sentar-se
à minha mesa, e toma-me as mãos,
beija-me as faces rubras de vinho,
e conta-me, compassivo, todos os
nomes que já tive, e quais os rostos
verdadeiros de meus detratores.

é quando meus suores ora frios tornam-se
calda fervente, e que a fúria asceta
embaça-me os olhos, e eu tremo, porque
tenho os membros atrofiados, e o
combate estoira-me por dentro dos
canos venosos, pelos átrios do pâncreas,
através da envergadura dos fêmures
e das omoplatas eriçadas num arrepio de voo.

é quando então sou o que seria, vendo
pelo vão agudo, além de toda cegueira
e a clareira objeta certezas.

é quando a presa escolhe como quer
morrer, para viver adiante,
enquanto a mínima palavra abre-se,
anímica, livre de querer dizer.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Maria do Grão*

há outros vestígios onde habito
rescaldos da aurora, um murmúrio
o repositório de conquistas aniquiladas
espargidas ao vento litorâneo.

a cidade se deixa recortar
por correntezas infeccionadas.
há grandes árvores cuja história
morrerá com elas, ressequida.

à gleba noturna voejam fantasmas
o ouro sereno de inexistências persiste
a vastidão do rio empresta-me silêncio.

enquanto há cansaço e calor -
uma breve canção me ocorre
ouço seu grito leve, em sonho,
e cada lenho crepita onde habito.

...

há vários presságios enquanto luto
e o último alqueire queima, vencido
à glória anônima de haver sido

a velha planície, o vento terral
a lua no charco, umbral mouro
deslizando lento no choro, a brisa
enfunando cores em papel de seda

e a cada segredo que o tempo sossega
excedo em suores bravios, inquieto
minha própria armadilha de versos

e objeto incertezas, anulo os
maldizeres apenas por ser
o lento vagido de tudo o que quer
suspira e evola-se em nuvem chuvosa
irmã vagarosa do entardecer.

*título referente a expressão Santa Maria do Grão, usada por Vicente Cecim em Viagem a Andara

quinta-feira, setembro 02, 2010

A Verdade

é, meu amigo: respira fundo
porque o mundo não é raso
e faz pouco caso do que te incomoda.

decide teu lugar à roda dos fatos
e vê que os ratos da ilusão
hão de roer-te os calcanhares

hão de faltar-te os ares logo
que o jogo dobrar a curva decisiva.

é, meu amigo, sua tua camisa
que os dias não são quentes à toa
se tens a metade da broa, não te acomoda

que a poda fortalece os galhos

lambe teus lanhos, busca o que te falta
e vê que a malta detratora não descansa
antes marca a dança, o passo rude
e, amiúde, vem à baila a verdade.

quarta-feira, agosto 18, 2010

a escritura

uma vez mais compreendes o que te cerca:
a conversa escura e multitudinária
os olhares ubíquos das rapinas.

repetes coitos e mantras na surdez esfacelada
enquanto nada mais é tão nítido.

tens a agonia súbita das retinas,
a recusa orgulhosa do pão doado
e a teu lado, a qualquer hora,
ardem querências ansiosas.

forjas o brilho das rosas descritas
e o verbete inédito segue intocado.

buscas calado o que te ousa doer,
e a farpa dourada adorna-te a garganta.

...

uma vez mais agiganta-se o sentido:
acrílico, zinco, a curvatura vistosa
do próximo crepúsculo

a musculatura da infância, irresistível e elástica,
a medida lúdica do exercício mortal, a escritura

(essa inversa procura do que sabemos inexistir
e acerca do que terminamos por auscultar,
mímicos, nas palavras que nos concorrem
emersas d'um leito invisível).

quinta-feira, julho 22, 2010

Improviso

deixar pra trás o que não soube
e o que me coube acabe aqui
no abraço, recobrar

o abrigo, o último motivo
do que não tive que enfrentar
a ventania do impossível
respirar

bem pra lá, depois da espera
o trem deserto, ninguém
por perto, aperta o passo
deixa o que passar

sem parar, arrisca
o teu menor esforço
e ali, no dorso do improviso
vai, sem avisar

deixar quieto o que não houve
e o que se move, enovelar
na memória, no olhar

ouvir a loa da verdade
e a vontade enviesar
nas direções que cada instante
avistar

sábado, maio 22, 2010

Eternos


tomar tuas mãos seria como
invadir obtusas estrelas
e vê-las como realmente são:
o quinhão emérito do infinito
que anelas, e a centelha escondida
entre as ruínas do que fomos.

arde no ar o fumo carburado
daquela viagem,
o negrume dos meus olhos ainda moços
com a tua verdura intransigente
e ouvem-se estridentes campanários
à passagem da caravana

nosso humor, colorido entre gozos e medos,
até que desandem as tardes para o que queiramos,
as direções delicadas de tudo o que hoje somos
inscrita na rosa aflatida das vontades.

tomar-te as asas e a sede
na noturna imprecisão dos sonhos
seria como o abandono natural
de estradas silenciosas
onde nossos passos semearam
pedras, galhos, insetos mínimos

e o ânimo da terra bebeu toda a tempestade -
a cidade transluzente dos teus dentes
e lábios mornos pronuncia uma vez mais
meu nome secreto

(e um certo invento rubro vai de novo
adornar-nos o peito úmido
afogar-nos o leito âmago
a imaginar-nos eternos).

sexta-feira, abril 23, 2010

Soledade

no Soledade, os mortos cuidam
de seus mortos. despojos esparsos
aqui e acolá

tristíssimas indagações pairam
nas volutas enferrujadas dos gradis
e tudo o que se quis perde-se
na desesperança do cemitério,
sem sequer ser preciso adentrá-lo.
nenhum mistério anunciado ao portal,
nenhum halo para haurir seus umbrais coxos.

apenas o muxoxo em ruínas
da cidade, do entorno
sem saudade -

(o Soledade aguarda, morno, o estorno
inexorável da vida que se evadirá,
cedo ou tarde).

quarta-feira, abril 14, 2010

Sim

pra entender a luz do dia

uso toda cor, todo retalho

pra corrigir as malfeituras

suco de maçã, abraçar de manhã


abrir os olhos serve pra

firmar o coração, mirar o fundo

se for pra revirar o mundo,

mudo a direção


sou o ouro e a brisa

o estandarte, o vinho

canto pelo caminho

pra viver só é preciso nunca dizer não


pra libertar a maresia

vale rodopiar, tontear os olhos

pra desvendar a tua procura

lembra o que sonhou, conhece a tua dor

idéias novas são pra

clarear a indecisão, cegar o rumo

ter o futuro novamente inteiro em tuas mãos


seja o ouro e a brisa

o estandarte, o vinho

canta pelo caminho

pra viver só é preciso nunca dizer não


deixar levar

abrir-se o tempo

não ser senão

por um momento.

quinta-feira, março 04, 2010

Inícios

Recolhe nas unhas o esmero do cio
o vazio dos lençois quarados na memória.
vê a tua negra vegetação tornar-se úmida e âmbar
com o canto de um galo.

Sente o estalo do sonho,
prenhe além das bordas,
e acorda para dentro da tua fabulação:
entende a paisagem nunca antes inventada

Objeta o n
ada com tua inesperada resposta,
feita de uma outra substância: a nova inteligência.
dá aos outros esta ciência feito óbolo e hóstia
concorra para que o fragor não ranja
além do óbvio.

Sê, para os inícios, a vontade legítima.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

a página branca II

estendo as mãos sob o manto morno
do dia: intento sem ruído.
as árvores aguardam, mudas,
o carvão no hálito dos automóveis.

sem tempo, tenho os cabelos úmidos
como os de um recém-nascido,
e recendo um júbilo amniótico,
curvado sobre o pequeno caderno,
como o firmamento afaga as
indecisões deste mundo.

a página abraça-me os olhos,
compreensiva, e sem anseios.
sinto sua respiração ao recostar
a cabeça em seu regaço.

é quando ouço gorjear, do ínfimo
a primeira palavra.

quinta-feira, outubro 15, 2009

vida

(7.novembro.2008)


a vida é maior que a tua dor

e cabe na flor, nos arredores

do teu sentir. e no porvir

amanhecerá o sal, o cio original,

a cal da natureza na incerteza do real.


a vida é melhor que o teu querer

e sabe o sabor das entregas surpreendentes,

a infância preservada nos intentos,

a força dos inventos imbuídos de milagre,

como a lágrima iminente, o ventre reconvexo,

o plexo solar, e o suspiro da aurora.


a vida é muito mais do que agora,

onde esboças teu receio – é um veio

rodeado de águas idas e vindouras,

e mora no útero mínimo das horas

dilatadas quando oras o evangelho

de simplesmente seres, não importando

que esperes por provável paraíso.

a vida é este relógio impreciso,

o franco improviso que continuará.


...


(15.outubro.2009)


a vida vai além do teu penar

e corre ao largo do que pensas

como se estivesse parada – é a

enseada fluídica, a hidrografia

escarlate que carregas, secreta,

e que, inquieta, refaz constante

os seus percalços no leito

de um mesmo rio.


a vida é este incerto pavio a queimar

cujo comprimento desconheces, mas

que te conduzirá, fatal, à explosão

de existires inteiro, ao fim da ilusão.


a vida é o reverso do não que pronuncias

na redoma que te contraria o desejo

e ora no silêncio do beijo, mora no

rijo intuito de expandir-se, mira-se

na certeza do milagre que esperas.

não retém ou exagera, antes gera

mais de si mesma, exige pulsações,

fluxos vibráteis, presenças plenas.


a vida nunca é pequena quando

a alma olvida, e convida-nos a

ocupar-lhes os aposentos a seu tempo.

a vida é um invento lento, um novelo

feito de momentos a se desvelar.



terça-feira, agosto 04, 2009

Fortuna

Então, cubra de delicadeza esse corpo já deitado em palavra,

e com a lisura vagarosa do tempo, ouça o trote longínquo,

a moçada gritando aos bardos, aos bandos,

naquela clareira, em estrépitos de argúcia;

as fogueiras sempre foram feitas de gente,

e toda a gente sempre correu fora da luz.


por onde andares, levarás contigo a clava diáfana,

e por onde falares, deixarás comigo a tua armada, armadilha feita de sopro:

a concha de tuas mãos, o rescaldo da inércia, o vinho que envelhece subterrâneo.

e quando voltares, isso será o vazio, uma casa à espera do corpo,

da palavra, e de tudo o que se escondeu diante da terra.

será como a visita de um sonho, essa porta que se abrirá, silenciosa, na madrugada

e a mãe, sentada ao lado da cama do filho.


portanto, dobra desde já esse teu manto feito de escolhas,

e te aproxima da antiga morada -

é na distância que crestam luzes,

e o tempo se cobre de sombra e sol.

deixa as sobras aos que padecem sob tua mesa

enquanto comes, delicadamente, a fortuna dos dias de sorte.


escrito a quatro mãos com Daiane Gasparetto, 4.ago.2009, msn, 13:45.

sexta-feira, julho 24, 2009

matinais


das artimanhas que conheço,
nenhuma que meça o desperdício das manhãs
nada que indique o endereço absconso do sol
ou de seu conselho:
o solto evangelho dos hipogrifos,
os centauros de ébano, a ceia dos unicórnios,
a vazante que revela as ondinas sem rumo.


o anúncio pálido goteja no frio, sem audiência.
os olhos tornam-se gládios ocos,
sem vestígio de milagre.
o orvalho ordenha-se indeciso
entre jóia e lágrima,
e há mais do que se pode contar
dos mistérios nos arbustos.


a muito custo consigo ordenar este relato,
um trato enviesado entre o horizonte,
e a linha vertical de tudo o que cai,
de todas as coisas que movem-se imperceptivelmente,
como entes hauridos de intermediação.


dos ondes em que anoiteço
nada que enderece ao longínquo hiato da aurora,
estas horas fustigadas de origem e âmbar,
havidas no incriado mundo que dorme ainda,
vergasta inclinado ao silício oculto
do dia recente, cujo choro primeiro
ninguém ouviu.


*poema provocado pelo tema "matinais", de Valério Fiel da Costa

terça-feira, dezembro 23, 2008

sobre o escuro, um muro de cal, pendente
estrelas circum-navegam brotos lilases.

nas frases, a gota mínima, o sangue arrefecido.
meu coração é um dente de leão que assopras,
pulveriza-se como um sonho na aurora.

toco o cristal que escorre do céu
e é como o seu ombro, a curva do charco,
a maciez imaginária de dez pessoas dormindo separadas
infensas ao enigma de inexistirem, mudas.

eu as abraço e reúno. não há saída.
revolvo a embriaguez do mundo nesse encontro.

tento. não consigo.


escrito a quatro mãos com Jorgeana Braga, 22.dez.2008, msn, 23:00:15.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Canto Quieto

ergo um canto que não fala
rarefeito, se esgueira à maneira de ser
sussurra a prosa calada
cavalgada flecheira na ladeira a descer

sem parecer, se depara com o que não se vê
evidente como agora há vento lá fora a dizer
nada que já não se saiba no silêncio de crer
cresce sem ter onde caiba, cobrindo a muralha de fé

rego o afeto, enfeito a loa
canto a toada quieta, a secreta manhã
emaranhado acorde, asa sobrevoando aberta
na deserta canção

sem perecer, desampara entre o sim e o não
obscura como ainda há lida entre o céu e o chão
tudo quanto não se saiba cabe num estreito vão
vara o tempo e não se acaba a curva invisível do som.


*letra escrita para melodia de Leandro Dias

quarta-feira, outubro 29, 2008

deus dará

criarás no cais o além-mar
e o que irás buscar
na vaga inventada virá

viverás do que entardecer
no escuro de crer
na fresta orvalhada de ver

e verás que o medo cessará
e será o enredo de outra história
glória tanta de cantar

saberás que a tez da canção
que trazes à mão
redime o malgrado sofrer

e darás ao vento essa cor
o corpo da flor
perfume invencível de ser

e serás o véu que se abrirá
e revelará o vão da memória
onde mora o deus dará
e ao acordar, recordarás...

Quem sou eu

Minha foto
Belém, Pará, Brazil
Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012), Antologia Eco Poético (ICEN, 2014), O Amor no Terceiro Milênio (Anome Livros, 2015), Metacantos (Literacidade, 2016) e antologia Jaçanã: poética sobre as águas (Pará.grafo, 2019). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), e em 2019 lança o álbum solo Vida é Sonho, autoproduzido no Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.