segunda-feira, agosto 01, 2011

Recado para G.H.

É bem provável que, no escuro abandonado

permaneça o ignorado perfume do que és,

o baixo relevo dos teus pés fincados antes

que o caminho brotasse, tua prima fonte.


É possível até que, dos princípios esquecidos

restem senhas, hieroglifos que apontem os fins

de tanta ânsia, e assim reconheças,

antes que desapareça, a tua vera miragem.


É capaz então que, à tua estreita passagem,

suceda lograres saber sem medida –

O estofo da vida te será visível

tal como o nível inconstante das marés.

11 comentários:

Tere Tavares disse...

A veste da vida é espessa, mas há luz entre as tramas - há versos!

Abraço

Anônimo disse...

Caro Renato: ao menos seu poema é melhor que o trecho de Lispector que me enviou. O que não quer dizer tanto para mim, uma vez que - excetuando Adélia Prado (na maioria das vezes) e Viviane Mosé - abomino todos os poemas femininos: aquela coisa grudenta como um puxa-puxa que não tem nada a ver com poesia. Dos que você têm postado, é um dos melhores dentro do seu estilo de versar. Apenas uma virgulazinha sem-vergonha no 4º verso... mas, no fim das contas, é tudo subjetividade.

Inté.

Falcon

Salete Cardozo Cochinsky disse...

B R A V O!
Literalmente uma poesia.
As metáforas desfazem-se e toda a palavra, frase ou idéia ganha um vida, "outra existência".
Gostei de conhecer esse Blog e seu conteúdo.
Um abraço

Renato Torres disse...

Tere,

a luz será sempre emanada sobre as obscurescências, oriunda de um coração flamejante. tens um exatamente assim.

um beijo,

r

Renato Torres disse...

Falcon,

confesso que fico um tanto chocado com a sua opinião, ainda que seja obrigado a respeitá-la. Clarice - que não é poeta - escreveu o trecho que enviei na divulgação encerrando seu romance de sucesso internacional A Paixão Segundo G.H. (que, naturalmente, inspirou este texto ora postado por mim). Recado Para G.H. foi escrito numa das capas do livro - foi um de uma série de três poemas que escrevi em sua capa enquanto cruzava a densa leitura do romance, que me fascinou por completo. mas, agora que estou ciente de sua ligação com o fake Evilásio Montenegro, compreendo sua indiossincrasia preconceituosa. agradeço o elogio (?), mas declino, humildemente, em ser considerado acima de uma escritora como Lispector, mesmo por uma opinião atabalhoada como a sua.

r

Renato Torres disse...

Salete,

agradeço imensamente a visita e o teu gostar, tão gentil e generoso. esteja sempre à vontade pra retornar a esta casa de palavra!

um abraço,

r

Velut Luna disse...

Quanto prazer em conhecê-lo Renato!Muito lindo,muito inspirado, muito tdb o que escreves. Te (re)conheci como poeta pela comu do face.Continue nos brindando com suas palavras!

Renato Torres disse...

olá Velut Luna!

devo dizer, à moda clichê, que o prazer maior é meu em receber uma escritora (mais uma) em minha casa de palavra! e mais: que estiveste a apreciar meus textos... nenhum escritor pode desejar coisa melhor! fico realmente feliz, e peço que esteja sempre à vontade pra me visitar. em breve, também retribuirei a visita!

um abraço,

r

Fabiana Leite disse...

ola gostei daqui! volto, com certeza!

Renato Torres disse...

oi Fabiana!

sim, volte sempre, e esteja à vontade!...

um beijo,

r

lenabarth disse...

Nossa tudo muito bonito, tudo muito tocante. bjs
Quando quiser pode me sisitar

http://avidadagente.no.comunidades.net

Quem sou eu

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Belém, Pará, Brazil
Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), inicia a produção do CD Vida é Sonho, quando inaugura o Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.