sexta-feira, setembro 13, 2013

A luta


há os que escolhem fugir.

quanto a mim,
tenho o peito à mostra
em pleno calor da luta.

perguntas, sem dizer: és capaz de
sustentar à mão o caule delgado do tempo?
eu, que nada sei de respostas ao invisível
estremeço apenas, franco, e tanto quero.

o calor do verão exalta os autos.

relincham e guincham 
as ruelas exterminadas e 
inóspitas ao meio-dia.

há os que se refugiam à sombra.

quanto a mim,
revolvo a terra em pleno sol,
com meus cascos de touro.

o ouro dos tolos é a cega esperança.

a que tenho 
enxerga no escuro, e
chega perto do precipício.

prefiro o ofício do voo, e o ninho
lunar dos teus cabelos de ouro
ao choro sem peixes do decoro, à
pedra sem sonhos da incerteza. 

10 comentários:

Rosana Carvalho disse...

Gostei do "peito à mostra". Isso prova destemor e, diria também, juventude, mas cuidado também com as trapaças.
Beijão.
Rosana.

Renato Torres disse...

Rosana,

ter o peito à mostra é um pré-requisito da poesia... é menos juventude, e mais destemor, porque a verdadeira coragem (fé, esperança...) enxerga no escuro, pois. mas também pode se ter o peito à mostra, e ter medo a um só tempo. quanto às trapaças, elas são inevitáveis, haveremos de enfrentá-las sempre.

um beijo, minha querida!

r

Élida Lima disse...

Muito bom! Toda uma língua própria. Anos de poesia, hein?

Patrícia Rameiro disse...

até guardei a poesia pra momentos propícios, você sabe...

sobretudo força, por todo o sempre.

ela mora em tudo.
é requisito pra vida.

força é uma mulher de olhar bonito e alerta que não nos deixa cair. tropeçamos apenas. e ela sempre surge, unusitada e linda.

força é feminino porque gera e recria. é colorida e emana da terra e do sol.

que ela permaneça contigo, meu bom, belo, doce, poeta, amigo.

uns beijos.

p



Patrícia Rameiro disse...

pensei e procurei, procurei, procurei...

mas só achei depois...


"Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela (…). Quem não se arrisca não pode berrar."

(torqua...)

Renato Torres disse...

Élida,

os anos de poesia valem bem mais que os anos normais e mortais, sabes? diria que são como portais do tempo ademais, em espirais infinitas...

bom ter teus olhos sobre o que escrevo!

beijo,

r

Renato Torres disse...

P,

força é uma mulher, sim. e que permaneça, como quero que permaneças, que todos os meus amados amigos permaneçam... escreverei sempre pra te ter por perto.

beijos,

r

Élida Lima disse...

Renato, caro poeta, curiosité: por que, com tantos poemas, amadurecimento poético, você não os tem publicados em livros?

Renato Torres disse...

P.

sensacional esse trecho do mestre Torquato! isso mesmo, o que se faz com versos pode ser poesia, mas poeta... é mesmo um severo e longo processo de desregramento. não se pode sair limpo e sem cicatrizes desse tour de force...

beijos,

r

Renato Torres disse...

Élida,

creio que a tua pergunta foi respondida a contento, né? bendita a hora em que me cutucaste (e ao destino), porque agora Perifeérico está no mundo!

um beijo!

r

Quem sou eu

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Belém, Pará, Brazil
Renato Torres (Belém-Pa. 02/05/1972) - Cantor, compositor, poeta, instrumentista, arranjador, diretor e produtor musical. Formou diversas bandas, entre elas a Clepsidra. Já trabalhou com diversos artistas paraenses em palco e estúdio. Cria trilhas sonoras para teatro e cinema. Tem poemas publicados nas coletâneas Verbos Caninos (2006), Antologia Cromos vol. 1 (2008), revista Pitomba (2012), Antologia Poesia do Brasil vol. 15 e 17 (Grafite, 2012). Escreve o blog A Página Branca (http://apaginabranca.blogspot.com/). Em 2014 faz sua estreia em livro, Perifeérico (Verve, 2014), inicia a produção do CD Vida é Sonho, quando inaugura o Guamundo Home Studio, seu estúdio caseiro de gravação e produção musical, onde passa a trabalhar com uma nova leva de artistas da cidade.